Sempre em Crise é para pensar de outra forma. Sempre em crise é Marketing, Tecnologia, Informação, Filosofia...é a loucura nossa de cada dia. Aproveite e volte sempre!!!
Inconsciente popular ou sabedoria das multidões?Recentemente li o livro de James Surowiecki, chamado A Sabedoria das Multidões e compartilho com vocês aqui as idéias do autor.
O livro aborda essencialmente uma pesquisa sobre os poder de decisão de grupos face às decisões individuais. O autor defende que as conclusões de grupos coletivos frente a problemas de qualquer natureza, desde o mercado de ações, até decisões simples de comportamento em pesquisas de focus group, são naturalmente mais inteligentes do que de indivíduos isolados.
Um exemplo é a academia de cientistas, que, hoje, não pode se dar ao luxo mais de ter um cientista que entenda de todos os assuntos. Com a fragmentação das cadeiras da medicina, os médicos tiveram de escolher segmentos dela para seguirem suas pesquisas, o que obriga esses e tantos outros profissionais, a formarem grupos ou comunidades de interesse a seus temas e assim, discutir e tentar resolver problemas de pesquisa e outros interesses.
Algumas conclusões:
Peça a cem pessoas para responder a uma pergunta ou solucionar um problema, e a resposta média freqüentemente será pelo menos tão boa quanto a resposta do membro mais inteligente.
Em inteligência coletiva, algumas vezes a abordagem mais confusa é a mais esperta. Na verdade, estimular a diversidade é mais importante em pequenos grupos e em organizações formais do que no tipo de grandes coletividades – como mercados e eleitorados.
O desenvolvimento de conhecimento pode depender da manutenção de um fluxo de ingênuos e ignorantes e a vitória na competição não necessariamente cabe aos mais bem educados. A razão é que grupos homogêneos são muito bons fazendo o que eles fazem bem, mas se tornam paulatinamente menos capazes de explorar alternativas. Incluir novos membros na organização, mesmo quando eles são menos experientes e menos capazes, de fato torna o grupo mais sábio, simplesmente porque o pouco que aqueles novos membros conhecem não é redundante com o que todos os outros conhecem.
Em parte a avaliação individual não é suficientemente acurada ou suficientemente consistente, a diversidade cognitiva é fundamental para a boa tomada de decisões. O argumento positivo a favor da diversidade, como já vimos, é que ela amplia o conjunto de soluções possíveis de um grupo, e permite que o grupo conceitualize problemas de novas formas.
Um custo caro da homogeneidade é que ela estimula as pressões no sentido da conformidade que os grupos costumam aplicar sobre seus membros. Isso parece semelhante ao problema do pensamento grupal, mas na verdade é diferente. Quando existe uma pressão no sentido de conformidade, uma pessoa muda de opinião não porque realmente acredita em algo diferente, mas porque é mais fácil mudar de opinião do que desafiar o grupo.
A informação em grupos pode torná-lo mais esperto. Já que a multidão está certa a maior parte do tempo, o que significa que prestar atenção ao que os outros fazem pode torná-la mais esperta, não mais tola. A informação não está nas mãos de uma pessoa. Ela está dispersa entre muitas pessoas. Assim, confiar unicamente em sua informação pessoal para tomar uma decisão é a garantia de que ela será menos informada do que seria possível. Conclusão: os grupos são melhores para se decidir entre soluções possíveis para um problema do que são em chegar a elas.
Sobre a cooperação, a explicação tradicional sobre o porquê da interação dos grupos, a máxima foi dada pelo historiador Robert Axelrod, quando disse que a cooperação é o resultado de repetidas interações com as mesmas pessoas. A cooperação na verdade não é confiança, mas a durabilidade do relacionamento a longo prazo, o fato de atores confiarem ou não um no outro é menos importante do que a existência de condições favoráveis para o estabelecimento de um padrão estável de cooperação entre eles.
Uma outra palavra importante em inteligência coletiva: reciprocidade: as pessoas participarão mais se acreditarem que todos estão participando. Na questão de impostos, por exemplo, as pessoas estão dispostas a pagar sua parcela justa dos impostos, se acreditarem que as pessoas que não pagam seus impostos sejam apanhadas e punidas.
Por que os cientistas colaboram? Parte disso é resultado do que freqüentemente é chamado de ‘divisão do trabalho cognitivo’. Como a ciência se tornou mais especializada e como o número de subcampos em dada disciplina se multiplicou, passou a ser difícil para uma única pessoa conhecer tudo o que precisa. A colaboração permite aos cientistas incorporar diferentes tipos de conhecimento de forma ativa. A colaboração também torna mais fácil para os cientistas trabalhar em problemas interdisciplinares – que atualmente costuma estar entre os mais importantes e interessantes problemas científicos. Pequenos grupos enfrentam grandes desafios na solução de problemas e na tomada de decisões a eles podem perder muito tempo dividindo trabalho, discutindo os resultados e debatendo as conclusões.
Danilo MotaMarcadores: Informação, livro, marketing, redes

Uma pequena abordagem sobre o livro Blink.
O autor aborda em Blink, um estudo sobre a Intuição e a sua contribuição para as decisões rápidas, ou as decisões num piscar de olhos. Esse é um dos estudos mais pesquisados no ramo da psicologia, e chama-se inconsciente adaptável.
Gladwell defende que pensamentos deliberados podem ter o mesmo nível de eficiência que os pensamentos ou decisões rápidas.
O autor conta várias histórias para descrever as facetas que o nosso inconsciente prega nas nossas vidas diárias. Ele chama a capacidade instantânea de fazer julgamentos intuitivos de fatiar fino. Fatiar fino é a capacidade para mergulhar rapidamente sob a superfície de uma situação – ou a cognição rápida. Uma característica que o autor supõe, é que os julgamentos instantâneos são, em primeiro lugar, extremamente rápidos: eles se baseiam nas fatias mais finas de experiência. Mas também são inconscientes.
Há também pesquisas sobre comportamento, encontros rápidos e comparações sobre a psicologia comum ou inconsciente coletivo e a lógica do dia-a-dia.
Há uma questão perturbadora no livro que é um estudo que aborda a questão de ser negro, alto, ou branco pode influenciar o seu emprego ou o seu crescimento na carreira. E comenta o teste do IAT – teste de associação implícita. O IAT foi descoberto por Anthony G. Greenwald, Mahzarin banjai e Brian Nosek. No nosso inconsciente também há julgamentos rápidos. Quando temos que ligar a palavra “empreendedor” entre masculino-família e feminino-carreira, provavelmente escolheríamos masculino ou pensaríamos duas vezes antes de levar a palavra empreendedor para o feminino. Isso chama-se preconceito implícito. Isso significa que nossas atitudes em relação a coisas como raça ou sexo operam em dois níveis. Em primeiro lugar temos nossas atitudes conscientes. São as coisas que optamos por acreditar. São nossos valores declarados, que usamos para dirigir deliberadamente nosso comportamento. As políticas de apartheid da África do Sul ou as leis no Sul dos Estados Unidos, que dificultam o voto para os afro-americanos, são manifestações de discriminação consciente e, quando falamos a respeito de racismo ou da luta por direitos humanos, é a essa espécie de discriminação que nos referimos. Mas o IAT mede outra coisa. Ele mede nosso segundo nível de atitude, nossa atitude racial no nível do inconsciente – as associações imediatas e automáticas que surgem antes de termos tempo para pensar. Não escolhemos deliberadamente nossas atitudes inconscientes. E, podemos nem mesmo estar cientes delas.
Mas quanto às decisões rápidas, Gladwell é enfático: a qualidade das decisões das pessoas sob as condições mutáveis e estressantes da cognição rápida é fruto de treinamento, regras e ensaios.
Blink é mais uma aventura intelectual de Malcom Gladwell. É um livro pra quem gosta de conhecimento e uma boa dose de provocação. Ele desafia o inconsciente coletivo questionando a sabedoria convencional igualmente ao livro Freakonomics.
Danilo Mota
Marcadores: livro, marketing, pesquisa
Assinar Postagens [Atom]
Um candidato a empreendedor com uma start-up na cabeça.